Partindo da daquela velha premissa que nossos cérebros não
evoluíram muito desde o tempo das cavernas, e que somos meros macacos pelados
que fazem o indizível pela sobrevivência de si... e de seus mais chegados, no
máximo. Sempre achei bastante natural o fato de algumas mulheres bastante
gostarem de homens bombados.
Bem, o que rolava naquele tempo (das cavernas) era que se este macho
biologicamente avantajado estivesse com desejo à flor da pele, ele ia à caça
cortejar alguma dama na floresta. Da feita que encontrava sua presa dama
e a mesma não fosse reciproca, ele simplesmente não resistia e dava vazão – não
muito delicadamente – a seu desejo sexual. Por isso, acho que na abordagem
desse mesmo bombadão hoje em dia, pode rolar uma haver uma comunicação na forma
de ameaça subconsciente e primitiva do que pode acontecer, caso a resposta seja
não. Dessa rudeza a nobre mulher da
caverna poderia até gostar, pois um macho forte desse e com essa força de
vontade seria isso mesmo... O famoso Provedor. Um homem desses certamente seria
ótimo caçador, pescador e a protegeria de machos de um bando inimigo, que
seriam mais violentos ou puramente sádicos. Em suma, seria o instinto puro
pulsando na artéria.
Ouvindo Otto e lembrando toda aquela doidice do show dele, a
dança extravagante, as letras estranhíssimas e tudo o mais, percebi que eu
nunca havia entendido a atração de algumas outras mulheres pelos homens com
dons artísticos, sensíveis magricelas e desajustados loucos em geral. Nunca!
Nunca vi sentido prático nisso! Até da historia do cara bombadão eu
desconfiava, mas admitia que tinha uma lógica interna. Mas, essa atração pelos
poetas.... Até que um dia, refletindo sobre o personagem do Xamã, deu um estalo
e pensei na nossa Eva primitiva participando daqueles rituais misteriosos, conectando-se
a mundos desconhecidos e maravilhosos, longe das agruras do dia-dia, falando
com seres que não se via, mas se sentia. E o único na tribo que poderia fazer
essa ponte com o divino maravilhoso era esse cara.
Era ele quem sabia qual música e em qual hora cantar, qual dança e qual as
plantas da natureza que tinham as propriedades ritualísticas. Ela poderia não
entender pra que servia aquelas pinturas nas paredes das cavernas, mas sabia
que era algo fantástico, belo e importante. Ele falava dos ciclos da natureza,
do sol e seu poder, da influência da lua sobre a água, essa que hora estava no
chão, hora caindo do céu. Ele tinha A Explicação pra tudo isso. Ele poderia não
ser muito bom na hora de sair para caçar, mas com certeza tinha - assim como a
fêmea - o conhecimento ancestral de como preparar a comida. Assim, o Xamã tendo
o contato com esses entes metafísicos cheios de historias de heroísmo, anseios
e paixões - à imagem e semelhança do ser humano - acabava dessa forma, portando
um especial conhecimento da alma humana, da alma feminina... seus anseios e
paixões.
Claro, mas claro que é importante frisar que estamos falando
de uma sociedade que viria a ser da turma do patriarcalismo, do macho soberano.
Tanto que essa atração por seres mais artísticos é própria das mulheres.
Conheço muito mais mulheres que pegariam o efeminado Caetano da década de 70 do
que homens que pegariam a Betânia. Por mais genial que ela seja.
Se o curso da História nos tivesse levado a uma configuração
em que as mulheres fossem a figura de autoridade, e de poder. Talvez
estivéssemos acostumados a vídeos da década de 60 de homens tietando loucamente
a Janis. E Hoje, uma horda ensandecidos homens estivessem correndo atrás da
Adele nas saídas dos shows. Por mais que ela não seja sexy.
Ao final dessa reflexão, notei: Eu que não sou forte, não
tenho dons artísticos e sempre fui agnóstico...
Bom seria dar um jeito nisso.
"Eu sou bom de cama, sei fazer café
E ninguém reclama do meu cafuné
Mas... artista é o caralho, é o caralho!"
E ninguém reclama do meu cafuné
Mas... artista é o caralho, é o caralho!"
Orquestra Imperial - não sei o autor
ass: Adriano 3


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