O beijo
E quando eu beijei a existência resolveu tirar umas férias e apreciar o espetáculo da língua. Afinal era só eu, ela, os lábios, e o gosto lúbrico e macio do beijo. A brisa, o mar, e a água salgada calaram-se para mim nesse momento, e o beijo foi assim como deve ser, cheio de mãos, peles e eternidade. Bruto. Nem a areia mais se atrevia a nos tocar, apenas nossos corpos e nossa juventude tenra se tocava, e o resto era o grande amontoado de coisas cinzas e ofuscadas. Nossos olhos firmemente fechados não se atreviam a abrir, e a triste e invejosa realidade ansiava estragar nosso prazer. Estávamos na praia deserta antes, estávamos sentados há horas antes do beijo chegar, e quando veio meu eu deu um nó em si mesmo. Eu nunca havia sentido sensação semelhante, pra falar a verdade, percebi que nunca havia Sentido. Viver era ser obrigado a carregar um peso enorme numa estrada retilínea ,aparentemente sem fim, e assim levei por muitos anos até encontrar a praia, a tarde e o beijo. No fim meus ouvidos foram pegos de surpresa com o grito ensurdecedor da existência. O mar arrebentou-se ao longe e me tirou do torpor, o vento bateu ruidosamente em meus ouvidos e me avisou que a vida não era só um beijo. Barulhos, estrondos e trovoadas de realidade finalmente me informaram que a brisa, o mar, areia e água salgada eram o que havia a se tocar agora, e o beijo na transmutação usual das coisas imediatamente saiu do estado de imediato fato... Para se tornar memória.Essa foi a única imagem que eu lembrei, clááááasica. Deborah Kerr e Bur Lancaster em "From here to Eternity".
Mas procurando, eu achei essa mais atual. Da moça da novela. SALVE, JORGE!
Ass: Adriano

Lindão, Caju. Du caralho.
ResponderExcluirgostei das fotos. bom texto tambem.
ResponderExcluirescreve alguma coisa sobre ser agnostico, acho que pode dar um texto interessante.
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