sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Cabeça vazia, oficina de Romantismos Baratos

Até queria escrever sobre algo importante, útil (política, religião, tragédias...). Até queria, mas na falta de tempo, foco ou inteligência mesmo, não veio nada de interessante e útil ao mesmo tempo. Pensei em coisas úteis, mas que não interessariam muito, pensei em coisas interessantes, mas que são coisas que não tenho conhecimento pra produzir algo útil. Quem sabe mês que vem. Então resgatei essa pequena prosa poética que eu plagiei me inspirei  de um filme; uma memoria antiga; ou ambos. Fiquem de olho no Zenaldo, falou!

O beijo

E quando eu beijei a existência resolveu tirar umas férias e apreciar o espetáculo da língua. Afinal era só eu, ela, os lábios, e o gosto lúbrico e macio do beijo. A brisa, o mar, e a água salgada calaram-se para mim nesse momento, e o beijo foi assim como deve ser, cheio de mãos, peles e eternidade. Bruto. Nem a areia mais se atrevia a nos tocar, apenas nossos corpos e nossa juventude tenra se tocava, e o resto era o grande amontoado de coisas cinzas e ofuscadas. Nossos olhos firmemente fechados não se atreviam a abrir, e a triste e invejosa realidade ansiava estragar nosso prazer. Estávamos na praia deserta antes, estávamos sentados há horas antes do beijo chegar, e quando veio meu eu deu um nó em si mesmo. Eu nunca havia sentido sensação semelhante, pra falar a verdade, percebi que nunca havia Sentido. Viver era ser obrigado a carregar um peso enorme numa estrada retilínea ,aparentemente sem fim,  e assim levei por muitos anos até encontrar a praia, a tarde e o beijo. No fim meus ouvidos foram pegos de surpresa com o grito ensurdecedor da existência. O mar arrebentou-se ao longe e me tirou do torpor, o vento bateu ruidosamente em meus ouvidos e me avisou que a vida não era só um beijo. Barulhos, estrondos e trovoadas de realidade finalmente me informaram que a brisa, o mar, areia e água salgada eram o que havia a se tocar agora, e o beijo na transmutação usual das coisas imediatamente saiu do estado de imediato fato... Para se tornar memória.


Essa foi a única imagem que eu lembrei, clááááasica. Deborah Kerr e Bur Lancaster em "From here to Eternity".


Mas procurando, eu achei essa mais atual. Da moça da novela. SALVE, JORGE!


Ass: Adriano

3 comentários: